Intervenção precoce pode ter benefício no autismo
Questão clínica
Uma intervenção precoce na primeira infância de crianças com autismo é capaz de afetar o aprendizado, o comportamento ou a inteligência?
Resumo
Uma intervenção intensiva, utilizando o modelo Early Start de Denver em crianças portadoras de autismo ou distúrbio pervasivo do desenvolvimento pode melhorar o aprendizado precoce, especialmente o desenvolvimento da linguagem, e o comportamento adaptativo após dois anos de tratamento. Esse estudo não encontrou benefícios do tratamento sobre o comportamento e não relatou nenhum benefício de longo prazo da intervenção.
Nível de evidência
1b-
Referência
Dawson G, Rogers S, Munson J, et al. Randomized, controlled trial of an intervention for toddlers with autism: the Early Start Denver Model. Pediatrics 2010;125(1):e17-e23.
Desenho de estudo
Ensaio clínico randomizado controlado (cego simples)
Distribuição da amostra
Não descrita
Casuística
Pacientes ambulatoriais (de especialidade)
Discussão
Os autores dessa pesquisa envolveram 48 crianças, com idades entre 18 e 30 meses e um diagnóstico de autismo (81%) ou distúrbio pervasivo do desenvolvimento, sem outra especificação (19% e). As crianças foram distribuídas de maneira aleatória, com mascaramento não descrito, para receberem os cuidados habituais ou uma intervenção intensiva de terapeutas que utilizaram o modelo Early Start de Denver. Os pais das crianças do grupo de cuidados usuais receberam recomendações para o desenvolvimento pré-escolar e terapia individual mas não receberam outros tratamentos. As crianças dos grupos de tratamento receberam uma média de 16,3 horas por semana de intervenções padronizadas e os pais foram instruídos a fornecer entre mais 5h de uma intervenção similar (apesar de as crianças terem recebido em média apenas 2,3 horas de intervenção dos seus pais). Após um ano de tratamento, o aprendizado precoce, aferido pela escala de Mullen, foi melhorado de maneira significativa no grupo tratado em comparação com o grupo de cuidados usuais, mas não houve diferença entre os grupos com relação a comportamento adaptativo (medido pelas escalas de Vineland). Após dois anos houve uma diferença de significativa devido ao tratamento em ambas as medidas de resultado, com a maior parte da melhora no aprendizado ocorrendo na aquisição das linguagens expressiva e o inseticida. A intervenção não teve um efeito significativamente diferente nas escalas diagnósticas de comportamento do autismo ou na escala de comportamento repetitivo. Esse foi o primeiro ensaio clínico randomizado que avaliou uma intervenção precoce para crianças com autismo e teve muitas limitações. O número de crianças foi pequeno. Os resultados na escala bem Vineland do foram baseadas em entrevistas com os pais, os quais estavam cientes dos grupos de tratamento e isso pode ter afetado suas respostas. Além disso, os pesquisadores realizaram muitas comparações estatísticas, aumentando a probabilidade de encontrar diferenças significativas simplesmente pelo acaso.
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