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Ultrassom seguido de tomografia se negativo é o melhor para o abdômen agudo
Questão clínica
Em pacientes que têm dor abdominal aguda não traumática, qual é a melhor estratégia para a detecção de uma situação urgente?
Resumo
As doenças urgentes - apendicite aguda, obstrução intestinal etc. - em pacientes que têm dor abdominal aguda e comparecem a um pronto-socorro são mais bem descartadas pelo exame físico e ultrassom em todos os pacientes, seguidos de uma tomografia computadorizada para aqueles cujo ultrassom seja negativo ou inconclusivo. Pelo uso dessa abordagem, 94% das urgências serão corretamente descartadas se a tomografia por negativo e se evitará custos e radiação desnecessários em quase metade dos pacientes que têm dor abdominal aborto. Realizar uma tomografia antes do ultrassom, na verdade, resulta em uma menor sensibilidade (89%).
Nível de evidência
1c
Referência
Lameris W, Van Randen A, van Es HW, et al, for the OPTIMA study group. Imaging strategies for detection of urgent conditions in patients with acute abdominal pain: diagnostic accuracy study. BMJ 2009;339:b2431.
Desenho de estudo
Estudo de coorte (prospectivo)
Apoio financeiro
Governamental
Distribuição da amostra
Não descrita
Casuística
Pacientes de pronto-socorro
Discussão
Esses pesquisadores recrutaram 1021 pacientes que tinham dor abdominal não traumática de duração entre 2 horas e cinco dias e compareceram a um de seis pronto-socorros universitários na Holanda. As mulheres grávidas e os pacientes que tinham choque hemorrágico ou aneurisma aórtico foram excluídos. O diagnóstico final de uma urgência - apendicite aguda, diverticulite, obstrução colônica etc. - foi feito em 65% dos pacientes. Depois de realizadas as histórias e exames físicos e laboratoriais, todos os pacientes foram submetidos a raios-x abdominais em posições ereta e supina, ultrassonografia abdominal e tomografia computadorizada.. As interpretações dos ultrassons e das tomografias foram realizadas com o conhecimento das informações clínicas mas sem o conhecimento dos resultados desses exames (ou seja, os médicos que interpretaram a tomografia não haviam visto o ultrassom e vice-versa). O padrão-ouro utilizado nesse estudo foi a interpretação por um painel de especialistas seis meses após a ocorrência com o uso de dados de seguimento coletados pelo longo do nesse período. A sensibilidade- a habilidade de identificar um problema como urgente de maneira a descartá-lo caso não estivesse presente - foi alta com o diagnóstico clínico e não foi dramaticamente melhorada com as radiografias (88%) ou tomografias (89%) e foi piorada pelo ultrassom (70%) devido a muitos falso-positivos. A especificidade - a porcentagem de negativos verdadeiros - foi baixa com o diagnóstico clínico (41%) e não foi melhorada com as radiografias (43%) ou ultrassons (70%). Combinando-se esses de resultados, a melhor estratégia para se descartar os problemas urgentes (sensibilidade mais elevada) foi realizar um ultrassom em todos os pacientes e uma tomografia naqueles cujo ultrassom fosse negativo ou inconclusivo (94%). Essa abordagem reduz o uso da tomografia quase pela metade e é mais efetiva do que realizar diretamente a tomografia.
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SOBRAMFA - Sociedade Brasileira de Medicina de Família
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